Soneto da Saudade – Hirasawa Riku

Distância...

Como um punhal que perfura o meu peito
Sinto arder profundo o meu coração
Sinto um pesar constante no meu seio
Algo que outros jamais entenderão

A isso eu não consigo ficar alheio
Porém eu acabo por ficar sem ação
E é um fogo bastante forte que ateio
Para forçar-te a me estender a mão

E ao encontrar-te novamente em meu olhar
Toda a dor some e eu me sinto mais leve
Como o pássaro voando em pleno ar

Como um gigante no chão que se ergue
Meu coração torna a bradar, pulsar
Mandar calor pra derreter a neve

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Saudades… É um dos sentimentos mais presentes quando se há alguém querido. É independente de tempo, mas não se desvencilha da distância. É boa e ruim ao mesmo tempo e também traz a sensação de confirmação, afinal, ninguém sente falta de algo desimportante.

Sentir saudades é como dar um pedacinho do seu coração para uma pessoa e permitir que ela o carregue sempre. Assim, só se está completo na presença da presenteada… Isso se reflete no reencontro, tão feliz, tão vivo.

Sentir saudades é um pedacinho do amor que se sente por uma pessoa. É algo gostoso e que sem ele, os relacionamentos não seriam a mesma coisa. Saudades são saudades e se não existissem, acabariam deixando saudades…

Soneto da Saudade – Hirasawa Riku

Prantos contidos – Hirasawa Riku

Essa melancolia
Tão sutil e aguda
Como uma dor pontuda
E nunca vem tardia

O meu coração sofria
E minh’alma então chorava
De desespero, gritava
Eu sabia, ninguém ouvia

Na solidão, ninguém via
Essa criança chorosa
E que tão só, desgostosa
Nadando em prantos, sorria

Não conhecia a alegria
Só sabia de falsidade
Só assistia crueldade
Gastando prantos, sorria

Sorria sem alegria
Porém, jamais sem motivo
Pois confiar no destino
Necessita de euforia

Uma só pessoa havia
Para se dar proteção
E com tal grande missão
Com muita calma, sorria…

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Com certeza, poucos me conhecem o suficiente para entender a essência dessa poesia… Poucas cenas me inspiram tanto quanto meu passado, que guarda recordações muito tristes… Não hei de citá-las em público, no entanto, elas me inspiram em muitas poesias, como essa que escrevi agora…

Prantos contidos – Hirasawa Riku