Controvérsias de um Mundo Vão

Fim da linha?

Eu quero te ver esta noite
Envolta por um mar de rosas
Calar com agonia o açoite
Respirar o formol que soltas

Sua pele enegrecida miro
Com água salgada em minha face
Digo que é tão longo o suspiro
Que talvez nunca mais se acabe

O Céu se abre e a Terra se fecha
Controvérsias de um mundo vão
Ficam os tesouros, fios e mechas
Pra quem fica, a escuridão

Mas no sofrimento há brecha
Quando a Ele se estende a mão
E se a morte vem como flecha
Ele é vida e ressurreição
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Fim?

Controvérsias de um Mundo Vão

Sono – Hirasawa Riku

Dormir, sonhar...

Segundos, segundos, o escuro
Eu sinto o fechar de minhas pálpebras
Alugo o diurno e o noturno
Eu dispenso da vida a álgebra

Este é o silêncio mais sonoro
Estas são as falas mais caladas
É o universo novo que exploro
Eis o gentil mundo das fadas

Até que chamas passam a arder
Rota de fuga quero achar
Sombras escuras a temer
Em surto, tentas achar o ar

Mas o sol nasce co’alegria
Ouço o som do despertador
E se em sonho chorava ou sorria
O que importa é que já acordou

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E você? Já acordou?

Sono – Hirasawa Riku

Imposição – Hirasawa Riku

 

Entre quatro paredes...

 

Nos passos descompassados de um coração
Na batida contida da brisa do céu
Intuito fortuito, sim, eles tentarão
Com a graça sem graça de corromper o véu

Os alvejados passos marcados irão
Seguindo sem riso os compassos desse réu
Ao destino longíquo dar-lhe-á suas mãos
E ao paladar amargar o mais doce mel

Na vontade sem vontade brilhando em cor
No vazio falta brio pra buscar nova luz
As barreiras em cadeia disfarçam a dor

Feridas contraídas enchem-se de pus
Nostalgia em epidemia desabrocha em flor
Aqui jaz a paz soterrada sob uma cruz

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Um ato imposto dói. Uma vida imposta é uma tortura.

Imposição – Hirasawa Riku

Nuvens de Agosto – Hirasawa Riku

Nas nuvens de agosto
Espairo na grama
É o vento que tomo
É a voz que me chama

Calado em silêncio
Os calmos suspiros
A paz que sustento
A paz que transpiro

Os raios de sol
Sim, beijam o meu rosto
Sei que não estou só
Sei que não estou louco

Pois durante o inverno
Nuvens já não há
Mas tudo que é eterno
Alarga o meu mar

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Eu gosto de nuvens…

Nuvens de Agosto – Hirasawa Riku

Guilhotina – Hirasawa Riku

Ela corta

Na mira da guilhotina
Acendem-se os pavis
Aquilo que me ensinas
Não sei bem o que me diz

Falando, fico calado
Andando, corto meus pés
Sozinho, fico ao seu lado
Por ora, sei quem tu és

Renderam o vocabulário
Tão sem jeito, tão sem diálogo
E cada porta que eu abro
Amplia meu silabário

Enquanto há os que não entendem
Portas se fecham ao redor
O homem retorna ao pó
E eles ainda não compreendem

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Ela corta impiedosamente.

Guilhotina – Hirasawa Riku

Adejar – Hirasawa Yuuki

 

O amor liberta

 

Perdoe-me caro e excelentíssimo ser que inventou o amor:
Perdão por todas as vezes que eu contestei sua criação,
Perdão por todas as coisas que disse em vão,
Perdão por deixar-me levar pelo rancor e pela dor.

Agora percebo o que fiz.
Deixei meu coração falar mais alto que a razão
E ele por sua vez me fez refém em sua prisão.
Fez de mim o que bem quis.

Mas agora que sou um ser racional novamente
E o meu coração está calado
Concertei boa parte do que fiz de errado.

Não peço que me entenda, nem ao menos tente,
Pois só quem já amou e foi amado
Sabe que a vida não retorna ao passado
E que a dor é permanente independente do tempo presente.

Só peço que da próxima vez que sua criação me visitar
Ela me dê a honra de um abraço, um beijo e um aperto de mão
Que ela não entre batendo em mim nem me jogue no chão
Pois não sei o quanto ainda consigo agüentar
Nem o quanto sou capaz de amar.

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Ela me visitou.

Adejar – Hirasawa Yuuki

Inevitável Rima – Hirasawa Riku

Para todo o sempre, não é?

Eu fico aqui ouvindo música
Em frente ao computador
Só querendo ouvir seu alô
Ver-te ornada em leve túnica

Exponho-te meus pensamentos
Minha alma e meu coração
E preparo a ti uma canção
Então, em seu amor eu me assento

E com a cruz, e olhos pro céu
A Ele eu sempre agradeço
Pelo mais belo cortejo
Pelo tão almejado véu

Magnífica és a pureza
Inevitável é a rima
Tu bem sabes que é a tua sina
Tu és minha amada Tereza

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Para sempre.

Inevitável Rima – Hirasawa Riku