Barricada – Hirasawa Riku

Do invisível faz-se barricada
Do invisível faz-se barricada

Choro e ranger de dentes
Prantos ao chão molhar
Barulhos estridentes
Espadas cortando o ar

Frutas sendo esmagadas
Uma corrida sem fim
Uma enorme barricada
Deitada no capim

As passagens estreitas
Sendo minimizadas
As escolhas desfeitas
Aumentam a barricada

Uma guerra sem esperança
É travada sem vista
E com muitas andanças
Seguidores despista

E a barricada cresce
Começa a te cercar
Mas a flor vem, floresce
E te faz respirar

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Sinta a barricada para poder desbancá-la.

Barricada – Hirasawa Riku

O Dia Em Que O Céu Ficou Vinho Tinto – Hirasawa Riku

Até no mais escuro dos dias, há uma brecha de luz
Até no mais escuro dos dias, há uma brecha de luz

Está dando tudo errado
Difícil de acreditar
Pois com tantos nós atados
Sinto muita falta d’ar

Parece que o azul celeste
Se fechou num vinho tinto
Com tudo que me fizeste
Me sentir como eu me sinto

É difícil de entender
A lógica dos fatores
É como querer bater
Em dois grandes lutadores

Mas tudo ainda é curioso
Pois não consigo chorar
Pois eu continuo tendo asas
E sei que consigo voar

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Sabe aquele dia que parece que nada dá certo? Aquele dia em que tudo é como chutar uma parede: doloroso e inútil? Aquele dia em que seus problemas parecem crescer e ter o triplo do seu tamanho?
Pois é… É muito desagradável! Parece que todos os nossos esforços para melhorar as coisas são em vão e que no fim de tudo, nada melhora… Temos a sensação constante de que há uma complexa conspiração do universo contra as nossas vontades e desejos e, assim, nos revoltamos contra tudo e todos. Ficamos mais ríspidos e dispensamos os comentários alheios, preferindo ficar reclusos em nosso íntimo sofrimento.
É aí que cometemos o maior de nossos erros.
Quando decidimos nos fechar, as portas para melhorar o nosso campo de visão se fecham: como enxergar a luz se fechamos os olhos? Esquecemos as possibilidades maravilhosas que a vida guarda diariamente para nós, as pessoas mais prestativas que gostariam de nos apoiar em momentos delicados; mas o relógio não para de girar, assim, enquanto perdemos tempo em que poderíamos estar buscando um sorriso para curtir o nosso infortúnio, a nossa desgraça, a nossa dor.
Tornou-se hábito olhar para as direções erradas, para os lugares errados na hora da dor. Em vez de remoer as nossas árduas complicações, temos que buscar alternativas que fujam da irritação e do ódio. Soluções que irão nos fazer bem são possíveis! Nenhuma pessoa vai se sentir melhor em relação a qualquer problema apelando para vigança ou deixar-se cair em depressão… É preciso fazer algo extremamente difícil, mas que sempre acalenta o coração: perdoar.
Se você é o culpado pelos seus problemas, perdoe-se. Se seu marido é o culpado pela sua dor, perdoe-o. Se sua amiga é a culpada por suas preocupações, perdoe-a. Se seu vizinho é o culpado por suas angústias, perdoe-o. Se um estranho é o culpado pela sua inquietação, perdoe-o. O perdão não é um presente que você dá para as outras pessoas! Engana-se quem pensa desta forma. O perdão é o maior presente que alguém pode dar pra si mesmo. Talvez, com mais carinho e compreensão, cada um será mais capaz de encarar as adversidades impostas pela vida com mais energia!
Faça um favor para você mesmo: perdoe.
O Dia Em Que O Céu Ficou Vinho Tinto – Hirasawa Riku

Saudades de um Finado – Hirasawa Riku

 

Não dê valor a alguém só quando a perder!
Não dê valor a alguém só quando a perder!
O palpitar dessa voz
O silêncio do escritor
O barulho do relógio
Hoje fala o professor
Ensinando uma lição
Que propriamente não ouvi
Eu não prestava atenção
Estava longe dali
O barulho do relógio
Muito se multiplicou
E aquele curto momento
Nunca, nunca retornou
Sinto falta das palavras
Da bronca que ele me deu
Me disseram, mas não ouvi:
“Não dá valor ao que tem,
Dá valor ao que perdeu!”
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As pessoas que passam por nossas vidas são todas, sem exceção, especiais de alguma forma: valorize! Nós não sabemos quanto tempo nos resta!
Saudades de um Finado – Hirasawa Riku

A Claridade Foi Mártir – Hirasawa Riku

A Claridade não pode ser martirizada
A Claridade não pode ser martirizada

É só um momento
É só um descuido
Um pensamento
Olhos no escuro

A Claridade
Ali presente
Pela mente
Tornou-se mártir

Se só nós dois
Em forte abraço
Tentamos, pois,
Selar o laço

Agora vemos
O que dissemos
E com calor
Somos amor

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Não é fácil, mas jamais devemos martirizar a Claridade

A Claridade Foi Mártir – Hirasawa Riku

Paradoxo de um Diálogo – Hirasawa Riku

Mamãe, mamãe
Por que tu sempre me ignoras?
Eu fico gritando em vão
Tu me enxergas mas não me olhas

Mamãe, mamãe
Todo o tempo estive aqui
Só te peça que não finja
Que já desapareci

Mamãe, te digo
Nunca, ninguém maltratei
Se não quiseres, não vingo
Eu não te destronarei

Mamãe, me explica
Qual foi meu tão horrendo crime?
E por que já me criticas
Se você ainda não viu esse filme?

Mamãe, me escute
Pois continuo a gritar
Essas pessoas que te iludem
Não compreendem o que é de cá

Mamãe, mamãe
Eu te digo que morri
Mas nunca derramei sangue
A minha vida perdi
Sendo que eu nunca nasci

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A maior covardia do mundo…

 

Poesia indicada para o Festimar 2008!

http://br.youtube.com/watch?v=AUsbXK5hats

Vídeo vencedor do Festimar 2008!

Paradoxo de um Diálogo – Hirasawa Riku

Cântico de Morte – Hirasawa Riku

Foi como conto de fadas
Essa estória foi contada
E levada pela estrada
Que hoje já é sanguinária

Tudo foi assim, passo-a-passo
Mas, tudo no descompasso
Tudo foi com bordões de aço
Porém, eu tudo rechaço

Veja que caibo numa caixa
Que é só de lamentações
Nem ouvindo muitos rojões
Essa ferida se enfaixa

Mas, do coração a batida
Acelera o pensamento
E diminui tal tormento
Somando muito à minha vida

Mas na névoa escurecida
Que contorna, só, o seu sítio
E que incrementa os seus vícios
A minh’alma vai recolhida

Enquanto em luz me recubro
Tu nas trevas te recolhe
E com cântico de morte
No final, sozinho te cubro…

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Só espero que não se concretize…

Cântico de Morte – Hirasawa Riku