Sono – Hirasawa Riku

Dormir, sonhar...

Segundos, segundos, o escuro
Eu sinto o fechar de minhas pálpebras
Alugo o diurno e o noturno
Eu dispenso da vida a álgebra

Este é o silêncio mais sonoro
Estas são as falas mais caladas
É o universo novo que exploro
Eis o gentil mundo das fadas

Até que chamas passam a arder
Rota de fuga quero achar
Sombras escuras a temer
Em surto, tentas achar o ar

Mas o sol nasce co’alegria
Ouço o som do despertador
E se em sonho chorava ou sorria
O que importa é que já acordou

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E você? Já acordou?

Sono – Hirasawa Riku

Imposição – Hirasawa Riku

 

Entre quatro paredes...

 

Nos passos descompassados de um coração
Na batida contida da brisa do céu
Intuito fortuito, sim, eles tentarão
Com a graça sem graça de corromper o véu

Os alvejados passos marcados irão
Seguindo sem riso os compassos desse réu
Ao destino longíquo dar-lhe-á suas mãos
E ao paladar amargar o mais doce mel

Na vontade sem vontade brilhando em cor
No vazio falta brio pra buscar nova luz
As barreiras em cadeia disfarçam a dor

Feridas contraídas enchem-se de pus
Nostalgia em epidemia desabrocha em flor
Aqui jaz a paz soterrada sob uma cruz

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Um ato imposto dói. Uma vida imposta é uma tortura.

Imposição – Hirasawa Riku

Nuvens de Agosto – Hirasawa Riku

Nas nuvens de agosto
Espairo na grama
É o vento que tomo
É a voz que me chama

Calado em silêncio
Os calmos suspiros
A paz que sustento
A paz que transpiro

Os raios de sol
Sim, beijam o meu rosto
Sei que não estou só
Sei que não estou louco

Pois durante o inverno
Nuvens já não há
Mas tudo que é eterno
Alarga o meu mar

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Eu gosto de nuvens…

Nuvens de Agosto – Hirasawa Riku